2010 e os governos de acesso ilimitado
Uso pouco esse blog para anunciar coisas aos amigos. Devia fazê-lo mais. Minha lista de e-mails cresce sem parar desde aquele verão de 1995 quando cheguei ao Tom Jobim – que na época nem se chamava assim – trazendo um computador 486 ainda com windows 3.1. Na ocasião aquela máquina fascinante ainda não havia entrado no cotidiano dos escritório dos brasileiros. Na Prefeitura, onde trabalhava na época – ainda usávamos um XT com monitor de fósforo verde e impressora matricial, aquelas que fazem um escândalo para imprimir nas folhas com furinhos nas pontas. Mandei meu primeiro e-mail para a Casa Branca – teste sugerido por todos manuais, porque lá funcionava o primeiro sistema automático de respostas. Fiquei parado alguns minutos diante da tela aguardando a resposta. Sorri quando vi em negrito que havia inaugurado meu ” Eudora”, o programa da moda.
Fiz meus primeiros amigos virtuais nos anos seguintes pelo IRC e entre eles o jornalista Fernando Vilela, o Fervil. Trocávamos idéias diariamente de 1997 até o final de 1999 quando a convite comecei a escrever artigos para a Revista Internet.br, uma das pioneiras na publicação de notícias sobre a Rede. Fervil foi um dos entusiastas da minha candidatura virtual em 2000 e me ajudou muito. Foi ele que me apresentou ao Orkut e também virtualmente soube do seu assassinato, em uma esquina violenta da cidade, anos depois quando estava nos Estados Unidos no meu exílio espontâneo.
Toda essa história é para explicar que e-mails e internet são ferrementas que utilizo há mais de dez anos para me colocar em contato com amigos, para ampliar meu círculo de amizades e estabelecer uma Rede de idéias. Entre 2001 e 2005 enviei cerca de 68 e-mails coletivos, relatando fatos como o 11 de setembro e dramas pessoais vividos à distância e no quase isolamento. Foi a existência Internet que me manteve sadio, me obrigando a escrever, a colocar no teclado meus medos e esperanças.
Não diferencio mais os amigos nascidos na virtualidade e outros que vieram pelo acaso, trabalho ou por outros amigos. São igualmente amigos e pelo contrário arrastei amigos também para virtualidade. Pelo que me lembre apresentei, estimulei e ensinei a muitos nos primeiros passos no computador. Hoje quando minha lista de e-mails se aproximou dos 800,pensei que seria hora de falar sobre essa relação.
Os amigos – virtuais ou não – sabem que sou teimoso. Insisti que a Rede é lugar para fazer política, mobilizar pessoas e fiz isso não agora quando passeatas de milhares são convocadas pela Internet. Faço isso há quase 10 anos. Muitos que me achavam louco hoje falam de Internet e ” inclusão digital” com grande intimidade que até me assusta. Por isso que não posso esquecer que aquela idéia de usar a Rede como mecanismo de controle de um mandato, que comecei a elaborar em 1999. Por isso não posso esquecer da candidatura coletiva, da insistência em adaptar o formato do gabinete governamental ou legislativo ao conceito de Rede e interatividade.
Fiz isso em 2001 na direção do CAU, criando um Conselho Gestor e agora novamente na Ouvidoria da SEASDH. Gostaria ainda de fazê-lo em um gabinete legislativo e quem sabe em uma prefeitura de cidade média. Por isso acho que toda essa experiências e idéias sejam organizadas para levar a outras cidades e estados a nossa idéia de E-Gov, de participação cidadã informatizada, seguindo o caminho dos bancos, empresas e eleições.
O Projeto 2010 – ano que inicia um novo ciclo e década no século XXI pretende levar ao maior número de municípios e mandatos programas, treinamentos, capacitação e visão política para as profundas transformações que o setor público vem sofrendo. Quero somar com outros pesquisadores e entusiastas da participação cívica virtual usar toda essa trajetória e visão para dar velocidade e transparência à democracia.
Estão todos convidados,
Internautas de todos as Redes, uni-vos.
Eu também te conheci virtualmente e me sinto emocionada com esse depoimento. Saudades do Fervil, da Internet nos primeiros anos. Paz e sorte para você levar essas idéias o mais longe possível.