O avatar e minha “segunda vida”
“É uma grande invenção, mas de qualquer forma, quem iria usar isso?”
Rutherford B. Hayes, presidente norte-americano, depois da demonstração do telefone de Alexander Bell, em 1876.
Minha primeira jornada em comunidades virtuais em 3-D aconteceu em 1989, com alguns sites que prometiam experiências “fora do corpo”. Eu lembro do Active Worlds, um programa que mesmo possuindo gráficos bons para a época não conseguiu me conquistar, pela lentidão das máquinas e da conexão ainda pela linha telefônica. Logo depois teve o Habbo hotel e outras comunidades que pretendiam misturar salas de chat com viagens alucinógenas no ciberespaço. Confesso que durante muitos anos fiquei distante do processo de evolução desses mundos virtuais voltados ao entretenimento e foquei em recurso de participação política, como comunidades de texto e grupos de notícias.
Em 1995, fascinado pelas possibilidades da Rede no processo social comecei a escrever um romance virtual e fui visitar um editor muito conhecido, graças a forcinha de um amigo que já havia publicado alguns livros. O editor me disse algo que me lembrou um executivo chamado Ken Olson, presidente e fundador da Digital Equipment Corp, fabricante de computadores mainframe que em 1977 lançou essa pérola: “Não há razão para que alguém queira ter um computador em casa”. O responsável pelas publicações da editora me disse que o formato de “chat” não seria aceito pelos leitores e que ninguém se interessaria em ler um romance situado em universo virtual “essa coisa não tinha futuro”. Hoje com milhões de usuários no myspace, second life e orkut, histórias, paixões e romances estão sendo gerados aos montes em vários países. Nos EUA virou um filão no meio editorial.
Depois da investida fracassada no mundo editorial tentei então convencer dirigentes partidários de que a Internet seria o futuro da política. No PT ouvi a sugestão de procurar os “verdes” já que de tão louca a idéia só mesmo um grupo de ecologistas com fama de bicho grilo e sem possibilidade real de poder poderiam aceitar esse projeto, de um candidatura virtual. Muito antes das redes sociais e da banda larga, lançamos o “cybervereador” que até hoje muita gente que me apoiava ainda não entendeu o que é. Riam até os verdes “alternativos”, riam os dirigentes partidários e até o inovador e nada tradicional Gabeira, que era minha esperança, preferiu aguardar para “ver como a coisa iria ficar”. Hoje quando vejo candidatos – inclusive os verdes que riam de mim – falando em distribuição de computadores e inclusão digital, eu fico pensando como os políticos levam tempo para perceber o que acontece na sociedade. Nós já estávamos lá e eles não percebiam.
Em 2001 fui para os EUA na esperança de que em uma sociedade mais avançada tecnologicamente essas idéias teriam maior facilidade para serem aceitas. Embora o índice de conectividade seja grande, que existam dezenas de cyber-romances já publicados, a participação política online ainda era muito pequena e também poucos políticos que conversei se sensibilizaram. Somente em 2004, quando o democrata Howard Deen, pré -candidato a presidente conseguiu arrecadar milhões graças ao trabalho feito na Internet é que a coisa começou a andar. Este ano Obama disparou por investir pesado nas redes sociais e sites, conquistando jovens e internautas.
Sem romance e sem mandato virtual voltei minha atenção me 2004 para a recém nascida rede social do google, orkut. Fiz lá grandes amigos, reencontrei outros que estavam perdidos, organizai comunidades e comecei a estudar os fenômenos sociais virtuais como o surgimento de organizações criminosas,o racismo, homofobia e propaganda de ódio. Fiz também muitos inimigos, gente louca que me persegue até hoje me acusando de “cercear” a liberdade de expressão ao mobilizar usuários para banir crimes da rede.
De volta ao convívio virtual este ano reencontrei o “active world” do passado, agora em versão turbinada. O Second Life é um universo 3D com total liberdade de locomoção, um mundo virtual habitado por mais de 11 milhões de residentes que interagem, consomem, se divertem e trabalham nas mais diversas atividades. É fascinante e assustador, ao mesmo tempo, uma vez que novamente surge o debate sobre isolamento social, dependência de conectividade etc. Abri lá um escritório, com foto na parede e sala de reuniões, onde espero encontrar amigos e fazer negócios.
Sim, continuam rindo de mim. Como a experiências anteriores de idéias e visão sobre a Internet já provou que posso estar um pouco adiantado, mas não sou louco. Pesquisadores da Universidade Keio, em Yokohama, no Japão, já desenvolveram um “capacete” que permite controlar avatares no Second Life com o pensamento. Mas isso é pra depois…
Minha primeira incursão em Second Life foi há 2 anos atrás. O Second Life era então uma comunidade que, só dois anos após sua criação, começava a chamar a atenção da imprensa americana e estrangeira. durante um Manhattan Connection, no meio do tédio dessa conversa toda sobre “www”, Paulo Francis solta um “tudo que tem nessa tal de internet eu já conheço desde os meus 12 anos”. O tempo passa. Mais de 10 anos depois, a internet transformou o mundo. Se fosse vivo, Francis estaria sofrendo até hoje com essa sua frase que ficou para a posteridade. É o preço que pagam os “polemistas” que soltam estas frases de impacto mais para fazer o povo colocar os pés no chão do que para “cagar regra” sobre o futuro. Francis não estava desdenhando do potencial da web. A frase dele era apenas um cutucão no povo deslumbrado que despejava nas conversas milhões de “achismos” e burrices sem tamanho. Burrice sim, porque histeria cega a razão. Uma pessoa histérica e deslumbrada engole qualquer balela que tentam vender.
Fonseca é um visionário essa é a diferença para esses pessimistas e ridículos políticos verdes.
O que dizem: Second Life é mais que um jogo. É uma rede social, um universo com moeda e economia própria. Essa economia é viva. O dinheiro virtual pode ser convertido em dinheiro real e há muitas pessoas vivendo desta forma.
O que eu acho: Second life é um jogo misturado com rede social. Mas está longe de ser um lugar com uma economia viva
Vivemos o que Castells denominou de era da informação ou era do conhecimento, caracterizada pela mudança na maneira de comunicar da sociedade e pela valorização crescente da informação. Você inovou com o cyberveador, vi no programa da TV cultura a matérai sobre esse projeto, até o FHC eo Umberto Eco falando sobre o futuro da política. É isso ai. Parabéns pela visão.
Pioneirismo tem preço mesmo. Te vejo no Second Life !
Achei um pouco vazio, mas tem potencial. Liderança é isso mesmo, ver o que outros ainda não perceberam