Pra não dizer que não falei dos verdes
Devido ao meu trabalho na Ouvidoria/SEASDH e na organização do ciclo de oito conferências regionais que atenderam aos 92 municípios, estive fora do debate das eleições municipais na capital. Minhas atenções estiveram focadas na cidade de Teresópolis, onde votarei pela primeira vez para Prefeito e Vereador no próximo domingo. Lá teremos um grande desafio para vencer quase duas décadas de uma política dominada pelo crime organizado. Estou participando ativamente da candidatura do médico Jorge Mário (PT) que vai significar uma profunda mudança nos rumos da Prefeitura após tantos mandatos comprometidos com a corrupção.
Na minha cidade natal não poderia deixar de registrar o que penso desse processo. Infelizmente ficou inviabilizada uma aliança PT-PMDB, que nacionalmente tem garantido importantes vitórias e garantia da ampliaçãos dos importnates programas sociais. O nosso candidato no Rio, Molón é um candidato limpo, comprometido com as causas que lutamos, preocupado com a transparência, com uma Prefeitura com sensibilidade social. É para ele que eu recomendo o voto. Mesmo que as pesquisas não apontem como favorito, o primeiro turno é a hora de votar em quem temos mais afinidade.
Se os resultados não apontarem nossa participação em um segundo turno, há observações que gostaria de fazer: a primeira é que estaria eticamente ferindo meus princípios se deixasse de falar sobre Fernando Gabeira como liderança. Estive ao lado dele em muitos momentos no passado e naquele momento sua candidatura representava realmente mudança e esperança. Em 86 na campanha PV-PT abraçamos a lagoa, colorimos a cidade. Foi a mais linda campanha que assisti. Hoje essa candidatura tem outros parceiros, a maioria com décadas na máquina. A aliança DEM-PSDB-PV foi a que levou Cesar ao poder há quatro anos atrás e agora estão repetindo a receita.
Minha experiência breve no PV em 1999/2000 e na gestão do urbanismo na “Era Cesar” me credenciam a fazer a seguinte avaliação: Ele é tem um passado de lutas, foi meu ídolo da juventude mas que infelizmente mostrou-se incapaz de dizer não às ilegalidades partidarias, foi muitas vezes omisso diante das injustiças internas dos verdes e nos últimos anos tem se aliado a setores conservadores e predadores da cidade.
Esse Gabeira “Tucano” que em nada lembra a imagem de paladino da ética e fonte de inspiração para ecologistas e ativistas que em todo país. Segundo a Transparência Brasil, organização dedicada a analisar doações e financiamentos eleitorais os verdes cariocas são quase que exclusivamente apoiados por empreiteiras. A gestão dos verdes no urbanismo foi um desastre na relação com a sociedade. Além disso o compromisso com setores do PSDB e DEM que já estiveram no governo municipal compõem um cenário de continuidade que não queremos para o Rio. Gabeira é a Solange Amaral que deu certo.
Por isso peço a reflexão de todos para que esse ciclo de quase duas décadas termine e que a gente possa ver a mudança acontecer. Seja quem chegar ao segundo turno, o Rio precisa de mudança e não podemos faze-la se votarmos nas mesmas pessoas, que apenas trocaram de estratégia. A candidatura Gabeira é uma armadilha que devemos perceber.
Que a gente amanheça no domingo com muita saúde e alegria, para fazer do Rio novamente uma cidade maravilhosa.