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Afro-brasileiros são maioria, pela primeira vez.

on 21/11/2011

O jornal britânico “The Guardian” publicou este fim de semana uma ampla matéria sobre os resultados preliminares do Censo em relação a população negra e mestiça no Brasil. Pela primeira vez desde que foi criado o primeiro censo em 1872 a população negra e mestiça é superior em números. O censo de 2010 diz que 97 milhões de brasileiros – ou 50.7% da população se define como “negra” ou “mestiça”, comparada com os 91 milhões, ou 47.7% que se declaram “ branco”
Segundo a reportagem o censo mostra claramente que a proporção de brasileiros que se declaram “ brancos” caiu e os que se consideram “ negros” e “ mestiços” subiu de 44.&% para 50.7%
Uma das explicações segundo a reportagem seria a valorização da identidade afro-brasileira na última década e ao orgulho crescente entre as comunidades negras e indígenas de seu país.
Segundo o censo, 7,6% dos brasileiros disseram que eram negros, em comparação com 6,2% em 2000, e 43,1% disseram que eram mestiços, acima dos 38,5%.
Em 1872, quando primeiro recenseamento do Brasil foi realizado, a população foi dividida em apenas dois grupos: as pessoas livres e escravos, que então representava 15% da população. O jornal britânico afirma que o IBGE disse seus pesquisadores detectaram a tendência de cerca de três anos atrás. O censo de 2010 foi o primeiro estudo completo em todo o país a reconhecer o fenômeno.
Embora ativistas reconheçam o número crescente de autodeclarado Afro-brasileiros percebemos que o censo também sublinhou a forma como a vasta divisão social entre as populações branca e não-brancos no Brasil persiste.
O censo de 2010 – uma grande operação que envolveu cerca de 190 mil pesquisadores. Números revelam que nas grandes cidades habitantes brancos ganham cerca de 2,4 vezes mais do que os negros.
Em Salvador, cidade que possui a maior população negra do Brasil os resultados foram ainda piores: os brancos ganham 3,2 vezes mais do que negros. O mesmo estudo constatou que 31,3% da população branca do Brasil tem planos privados de saúde, em comparação com apenas 15,2% da população negra.
Técnicos e acadêmicos são unânimes em afirmam que os baixos salários levam a pior educação, que é uma barreira para conseguir um bom emprego. As políticas públicas a nível nacional e regional trabalharam nessa última década pela superação dessa divisão racial, mas ainda temos um logo caminho a percorrer em busca da igualdade.

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