EUA
Descobrindo a “Geração X” e a política americana ( 2001-2006)

No período de 2002 a 2006 participei ativamente da política norte-americana. em algumas campanhas eleitorais em diferentes estados: Estive em 2004 na campanha por Cory Booker (D), atual Prefeito de Newark (NJ) eleito em 2006 ,na campanha da vereadores Marjory Avant (D-NJ) e M. Rosado (D-FL) e do Senador Barack Obama . Colaborei também na campanha presidencial de John Kerry (D), em 2004.
Cory Booker, jovem líder comunitário e ex-vereador foi eleito prefeito de Newark, a maior cidade da área metropolitana de Nova York. Nos conhecemos em 2002. Eu era editor do jornal Brazilian Press e ele um “underdog”, candidato desconhecido enfrentando a mais poderosa máquina municipal norte-americana, liderada pelo “mito” Sharpe James. Na época, pouca gente acreditava que um político iniciante seria capaz de vencer o grupo que há cerca de 20 anos domina a prefeitura. Desde o primeiro momento percebi que ele era uma liderança incrível, que teria condições de unir a cidade mais segregada dos Estados Unidos, onde negros vivem longe e em conflito com latinos. Com apoio da enorme população brasileira e com um trabalho comunitário de quatro anos, Cory venceu hoje a estrutura que os conservadores haviam montado desde os anos 70.
A caminhada de Cory em 2002 foi minha primeira e grande oportunidade de conhecer por dentro a estrutura de uma campanha eleitoral nos Estados Unidos. Tive a sorte de trabalhar com uma equipe incrível, dedicada, competente e que sobreviveu a difíceis condições políticas. Estacionado em um terreno baldio, o trailer foi nosso quartel-general e ponto de encontro da equipe. Foi lá que conheci Pablo Fonseca e outros latinos que participavam da coordenação. O trabalho de mapeamento, visitas e de eventos foi o mais interessante que já participei. Munido de um bloco e máquina fotográfica acompanhava Cory em diversos encontros com a comunidade. Fizemos uma inesquecível visita a um asilo e caminhamos no Ironbound – bairro de grande concentração de imigrantes brasileiros – em busca de novos eleitores. Na ocasião ajudei a elaborar panfletos e acompanhei o candidato em algumas festas e casas de brasileiros que estavam aptos a votar. Como a presença na urna não é obrigatória, cada voto conta e muito.
Acompanhei também a visita de Booker ao Brasil em 2003, com um grupo de empresários locais e conversamos muito sobre meu projeto de sub-vereadores, que ele considera uma “novidade” na democracia representativa e pretende introduzir projetos similares através da bancada de vereadores democratas, que também foram eleitos hoje. Booker está interessado nos projetos urbanos de Curitiba e espera que eu o ajude a manter essa ponte com o Brasil.
A campanha de 2002 foi tão violenta e que a baixaria eleitoral acabou inspirando o filme “street fight”, indicado ao Oscar este ano como melhor documentário. Desta vez, sem Sharpe e sem o uso da máquina pelo candidato oficial, Cory chegou lá. Agora ele é uma estrela democrata, apoiado por Oprah, Spike Lee e Barbra Streisand. Celebridade, citado pelo New York Times como “presidenciável” em um futuro próximo. Embora tenho colaborado modestamente com a elaboração de um site em português e alguma movimentação pela Rede, a chegada de Cory a prefeitura me trouxe uma imensa alegria. Newark é uma cidade de maioria negra e de imigrantes latinos, com índices sociais de terceiro mundo. A experiência e prestígio dessa jovem liderança pode trazer grandes investimentos para a região, sua criatividade e suas novas ideías vão oxigenar a velha máquina populista de Sharpe, que há duas décadas comanda uma polícia corrupta que nada fica a dever a coisas que vivemos no Brasil.
A vitória de Cory é também a do bom humor, da tolerância, do otimismo. Hoje é um dia, como ele gosta de afirmar, para entrar na história. Não só na história de Newark, mas para ficar marcado em nossas agendas como um dia que assistimos a derrota da arrogância. Muito da campanha de 2002 me fazia lembrar dos momentos que vivi na política carioca, com as máquinas partidárias, o financiamento misterioso das campanhas e as cartas marcadas nas convenções. O que não é bom para os Estados Unidos, decididamente não é bom para o Brasil.
Participe da nossa comunidade de Brasileiros por Obama, dentro do site oficial da campanha